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segunda-feira, 2 de março de 2009

Empreendedorismo social: diferencial ou condição?
John Elkington, fundador de empresas de consultoria sobre sustentabilidade, vê a atual crise financeira como agente transformador do cenário empresarial. Para ele, a sociedade caminha para a quarta grande onda sustentável. Ocorrerá uma fênix econômica no futuro, que derrubará antigos conceitos globais e beneficiará o empreendedorismo social e o terceiro setor, sobretudo aqueles que não têm medo de inovar

Débora Spitzcovsky - Edição: Mônica NunesPlaneta Sustentável - 26/02/2009
Embora já tenhamos ótimas histórias de desenvolvimento sustentável para contar, o conceito é relativamente novo. O sociólogo John Elkington, especialista em responsabilidade corporativa e desenvolvimento sustentável e co-fundador da SustainAbility e da Volans – empresas de consultoria em sustentabilidade –, traçou, em evento dos Diálogos Itaú de Sustentabilidade, a dinâmica social do mundo que levou à transformação de conceitos políticos e econômicos que beneficiam o desenvolvimento socioambiental.Para o empreendedor, já passamos por três grandes momentos no setor, que, entre outras coisas, trouxeram alguns benefícios como a criação do programa ambiental da ONU (o Pnuma - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e o início de uma fase na qual as empresas perceberam que o desenvolvimento socioambiental é tema inerente ao mercado e passaram a criar políticas acerca do assunto.Agora, na opinião de Elkington, nossa sociedade caminha para uma quarta grande onda sustentável, que trará novas oportunidades de mercado impostas pelos grandes desafios sociais e ambientais que enfrentamos. Em outras palavras, os empreendimentos sociais vão, mais do que nunca, "estar na moda". Antes disso, porém, teremos de superar os fantasmas da crise econômica mundial.“Estamos vivendo um período muito difícil. O mercado em baixa vai piorar e temos que tomar algumas medidas pensando no futuro. Será doloroso para todos, especialmente para os empreendedores focados na “antiga ordem” capitalista , mas se trata de um sofrimento necessário. Provocamos grandes desastres econômicos, sociais e climáticos no mundo e, agora, temos que consertá-los”, afirma o consultor.Nesse cenário, antigos conceitos globais – como, por exemplo, o neoliberalismo – serão, de uma vez por todas, substituídos por novas ideias, dando início ao que Elkington chama de fênix econômica. “A desestabilização do modelo econômico vigente vai gerar oportunidades para ressurgirmos das cinzas e levarmos adiante mudanças radicais. É como na ecologia: muitas vezes precisamos de um incêndio na floresta para limpar o espaço e deixar que novas plantas cresçam”.INOVAÇÃO, SEMPRE O novo momento vai beneficiar aqueles que não tiverem medo de acompanhar as mudanças e inovar em suas ações empreendedoras. Quando pensamos em pessoas assim, a figura do novo presidente dos EUA, Barack Obama, logo aparece na cabeça de muita gente. Elkington acredita que ele realmente será importante nesse cenário, mas acha que é errado depositar a responsabilidade em apenas uma pessoa. Para ele, é preciso acreditar em outros protagonistas para essa nova história que vamos escrever.“Qualquer um pode ser um empreendedor social e transformar uma microiniciativa em algo macro para a sociedade”, disse Monica de Roure, diretora da Ashoka, uma organização mundial, sem fins lucrativos, que é pioneira no trabalho e apoio aos empreendedores sociais e atua no Brasil. “A própria Ashoka surgiu com um visionário – o empreendedor social Bill Drayton – que transformou o micro em macro, isto é, que enxergou problemas sociais no mundo, quis mudá-los e, no caminho, encontrou pessoas diferentes com soluções diferentes, dispostas a criar novos padrões de desenvolvimento para um mundo que está acomodado”, completou Roure.Os palestrantes ainda destacaram o potencial do Brasil e, principalmente, de São Paulo, no setor do empreendedorismo social: “Ainda há falta de capital no mercado para esse tipo de negócio, mas têm lugares onde há uma infraestrutura que facilita o setor e São Paulo é um desses lugares. Aqui há tanta riqueza de experiência no terceiro setor e tanta desigualdade – como, por exemplo, Paraisópolis –, que é um prato cheio para os empreendedores sociais”, afirmou Kelly Michel, atual diretora da Artemisia, outra instituição internacional engajada em negócios sociais e que também atua no Brasil.Se não nos falta infraestrutura, só resta mudarmos nossa cultura, que, na opinião dos palestrantes, ainda não é tão engajada social e ambientalmente, se comparada a outros lugares do mundo. “Felizmente, o Brasil está mudando isso. Hoje já vejo na rua crianças e jovens questionando seus pais a respeito do uso descomprometido da água, por exemplo. A participação social como um todo está mudando e, com isso, o empreendedorismo social vem ganhando espaço”, finaliza Roure, da Ashoka.Leia também:A força dos negócios do bemO melhor dos mundosOs cases e os novos empreendedores da América LatinaEles também querem lucroReceita solidáriaAula de cafuné
Embora já tenhamos ótimas histórias de desenvolvimento sustentável para contar, o conceito é relativamente novo. O sociólogo John Elkington, especialista em responsabilidade corporativa e desenvolvimento sustentável e co-fundador da SustainAbility e da Volans – empresas de consultoria em sustentabilidade –, traçou, em evento dos Diálogos Itaú de Sustentabilidade, a dinâmica social do mundo que levou à transformação de conceitos políticos e econômicos que beneficiam o desenvolvimento socioambiental.Para o empreendedor, já passamos por três grandes momentos no setor, que, entre outras coisas, trouxeram alguns benefícios como a criação do programa ambiental da ONU (o Pnuma - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e o início de uma fase na qual as empresas perceberam que o desenvolvimento socioambiental é tema inerente ao mercado e passaram a criar políticas acerca do assunto.Agora, na opinião de Elkington, nossa sociedade caminha para uma quarta grande onda sustentável, que trará novas oportunidades de mercado impostas pelos grandes desafios sociais e ambientais que enfrentamos. Em outras palavras, os empreendimentos sociais vão, mais do que nunca, "estar na moda". Antes disso, porém, teremos de superar os fantasmas da crise econômica mundial.“Estamos vivendo um período muito difícil. O mercado em baixa vai piorar e temos que tomar algumas medidas pensando no futuro. Será doloroso para todos, especialmente para os empreendedores focados na “antiga ordem” capitalista , mas se trata de um sofrimento necessário. Provocamos grandes desastres econômicos, sociais e climáticos no mundo e, agora, temos que consertá-los”, afirma o consultor.Nesse cenário, antigos conceitos globais – como, por exemplo, o neoliberalismo – serão, de uma vez por todas, substituídos por novas ideias, dando início ao que Elkington chama de fênix econômica. “A desestabilização do modelo econômico vigente vai gerar oportunidades para ressurgirmos das cinzas e levarmos adiante mudanças radicais. É como na ecologia: muitas vezes precisamos de um incêndio na floresta para limpar o espaço e deixar que novas plantas cresçam”.INOVAÇÃO, SEMPRE O novo momento vai beneficiar aqueles que não tiverem medo de acompanhar as mudanças e inovar em suas ações empreendedoras. Quando pensamos em pessoas assim, a figura do novo presidente dos EUA, Barack Obama, logo aparece na cabeça de muita gente. Elkington acredita que ele realmente será importante nesse cenário, mas acha que é errado depositar a responsabilidade em apenas uma pessoa. Para ele, é preciso acreditar em outros protagonistas para essa nova história que vamos escrever.“Qualquer um pode ser um empreendedor social e transformar uma microiniciativa em algo macro para a sociedade”, disse Monica de Roure, diretora da Ashoka, uma organização mundial, sem fins lucrativos, que é pioneira no trabalho e apoio aos empreendedores sociais e atua no Brasil. “A própria Ashoka surgiu com um visionário – o empreendedor social Bill Drayton – que transformou o micro em macro, isto é, que enxergou problemas sociais no mundo, quis mudá-los e, no caminho, encontrou pessoas diferentes com soluções diferentes, dispostas a criar novos padrões de desenvolvimento para um mundo que está acomodado”, completou Roure.Os palestrantes ainda destacaram o potencial do Brasil e, principalmente, de São Paulo, no setor do empreendedorismo social: “Ainda há falta de capital no mercado para esse tipo de negócio, mas têm lugares onde há uma infraestrutura que facilita o setor e São Paulo é um desses lugares. Aqui há tanta riqueza de experiência no terceiro setor e tanta desigualdade – como, por exemplo, Paraisópolis –, que é um prato cheio para os empreendedores sociais”, afirmou Kelly Michel, atual diretora da Artemisia, outra instituição internacional engajada em negócios sociais e que também atua no Brasil.Se não nos falta infraestrutura, só resta mudarmos nossa cultura, que, na opinião dos palestrantes, ainda não é tão engajada social e ambientalmente, se comparada a outros lugares do mundo. “Felizmente, o Brasil está mudando isso. Hoje já vejo na rua crianças e jovens questionando seus pais a respeito do uso descomprometido da água, por exemplo. A participação social como um todo está mudando e, com isso, o empreendedorismo social vem ganhando espaço”, finaliza Roure, da Ashoka.

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